Contos
FANTASMAS
É tão estranho, não acha? A morte. Ela é algo que não vemos, mas sentimos quando ela passa ou está perto de passar, como quando olhamos para o céu e vemos as nuvens cinzentas se aproximando, enquanto o vento vai se tornando frio e forte. O estrago que o temporal pode causar é uma coisa inevitável. Às vezes fico imaginando como é a vida de quem não sofre pela morte, como é não sentir a chuva molhar seu corpo e te deixar congelado, não se conter ao ver outras pessoas acariciando o caixão recém-fechado. Como será a vida dessas pessoas? Será que desejam ver a pessoa, morta, viva de novo? Ou apenas aceitam que a morte pode levá-las assim, sem nem pedir permissão. De certo modo, sabemos que ela virá, mas não pode ser tão fácil assim; apenas aceitar que ela irá te recolher daqui um tempo.
Eu acredito em fantasmas. Mas não acho que os fantasmas bons deveriam não ter seu devido descanso, por isso que muitas vezes questiono sobre purgatório e sobre o fato de que espíritos perambulando pelo mundo sempre são maus. Ao meu ver, pessoas boas em vida descansam, enquanto quem praticou o mal assombra pessoas inocentes, ou até mesmo um pobre bebê. Se animais e crianças vêem espíritos eu já não sei, mas a questão é que, enquanto estiverem por perto de nós, dão o recado e mostram para que existem. Agora para quem não acredita, não devemos tirar seu direito. Porém, se pensarmos, porque a pessoa que não acredita no que não vê crê em Deus? São coisas a se pensar.
Enquanto estivermos em vida, sempre nos questionaremos. Acho que apenas depois da morte nos levar é que veremos o que realmente há de se questionar.

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